O que é Fracking?

O fraturamento hidráulico, também conhecido com “Fracking”, é utilizado para realizar perfurações e extração de gás, o chamado gás xisto, ou gás de folhelho, em inglês chamado de shale gas. A profundidade das formações da camada de carvão metano (folhelho) variam de 137 m até para mais de 3.200 m. A diferença entre essa técnica (não-convencional) e a perfuração convencional é que ela consegue acessar as rochas sedimentares de folhelho no subsolo e, consequentemente, explorar reservatórios que antes eram impossíveis de ser atingidos.

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O processo consiste de uma perfuração que pode atingir até 3,2 km de profundidade (o equivalente a um edifício de 534 andares, se algo assim existisse, ou uma caminhada de 1 hora e 4 minutos), onde a tubulação a partir de determinado momento assume uma trajetória horizontal. Ao se deparar com as formações rochosas, é iniciado o fraturamento da rocha.

Através da tubulação instalada, é injetada uma mistura de imensa quantidade de água e solventes químicos com potencial cancerígeno comprimidos. A grande pressão provoca explosões que fragmentam a rocha. Para que o buraco não se feche novamente, são injetadas enormes quantidades de areia, que supostamente evitam que o terreno ceda ao mesmo tempo em que permite, por sua porosidade, a migração do gás a ser extraído. O processo pode criar novos caminhos para a liberação de gás ou pode ser usado para ampliar os canais existentes.

Existem, no entanto, outras formas de fraturar poços para extração de gás xisto. Às vezes, as fraturas são criadas por gases injetáveis tais como o gás propano ou nitrogênio, e às vezes a acidificação ocorre simultaneamente ao fraturamento. Acidificação envolve o bombeamento de ácido (geralmente ácido clorídrico), na formação para dissolver algum material da rocha, limpando os poros e permitindo que gás e líquido possam fluir mais facilmente para dentro do poço.

Alguns estudos têm mostrado que mais de 90% de fluidos do fracking podem permanecer no subsolo. Fluídos de fraturamento usados que retornam à superfície são muitas vezes referidos como flowback, e estes resíduos são normalmente armazenados em lagoas abertas ou tanques no local do poço antes da eliminação, gerando assim contaminação do solo, ar e lençóis de água subterrânea.

Rodada 12

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ANP, sem abrir consulta para a sociedade civil ou mesmo ter comprovação científica da segurança de uma tecnologia como o Fracking, ofereceu para leilão em 28 de novembro de 2013, 240 blocos localizados nos principais aquíferos brasileiros, como o Guarani, Bauru, Acre, Parecis, Parnaíba e Urucuaia.

Neste dia fatídico, 12 empresas (1 francesa, 1 colombiana, 1 bermundesa, 1 panamenha e 8 brasileiras sendo as principais Petrobrás, Tucumann e COPEL) arremataram 78 blocos em quase 50% de toda a área disponível. Este resultado expõe as bacias do Recôncavo, Alagoas, Paraná, Sergipe, Parnaíba e Acre a alto risco.

  • Oeste do Acre


Danos Ambientais

Mudanças Climáticas
Além de distrair a indústria geradora de energia e governo do investimento em fontes de energia renováveis, o processo de exploração do Fracking emite metano, gás com 25 vezes mais potente que o CO2, contribuindo cada vez mais para o agravamento das mudanças climáticas. Leia mais aqui.

Consumo de Água

Fracking utiliza no processo de exploração enormes quantidades de água.
Cada poço utiliza entre aproximadamente de 7,8 a 15,1 milhões de litros de água (fonte). Estes litros e litros devem ser transportados para o local de fraturamento, geralmente por via terrestre em caminhões a diesel, o que representa um custo ambiental significativo, especialmente considerando-se que estamos no meio de uma crise hídrica no país.
Em West Virginia (EUA), são injetados aproximadamente 19 milhões de litros de fluido em cada poço fraturado, e de toda a água utilizada no fraturamento hidráulico apenas 8% são fluído flowback.  (fonte)

Contaminação da Água

A água levada para os poços é misturada com areia e produtos químicos para criar fluido do Fracking. Cerca de 151 mil litros de produtos químicos são usados ​​por fraturamento.  Até 600 produtos químicos são usados, incluindo substâncias cancerígenas e toxinas conhecidas, tais como urânio, mercúrio,  metanol, rádio, ácido hidroclorídrico,  formaldeído e muitas outras.
Os produtos químicos potencialmente cancerígenos usado pode escapar e contaminar as águas subterrâneas em torno do local Fracking. A indústria sugere que incidentes de poluição são os resultados de má prática, ao invés de uma técnica inerentemente arriscado.

Terremotos

Habitualmente o fracking provoca micro sismos que às vezes desencadeiam tremores maiores que podem ser sentidos pelas populações locais. Por vezes, estes eventos são aproveitados para obter um registro vertical e horizontal da extensão da fratura.  A injeção de água de reuso proveniente das operações de fracking em poços de água salgada pode causar tremores maiores, tendo-se registrado magnitudes de 3,3 (Mw).
Vários terremotos em 2011 em Youngstown (Ohio) (incluindo um de magnitude 4,0) estiveram relacionados com a injeção de águas residuais do processo de fracking, de acordo com sismólogos da Universidade Columbia.  Os sismos tem se tornado mais frequentes. Em 2009, ocorreram 50 terremotos com magnitude superior a 3,0 nas áreas dos estados do Alabama e Montana, enquanto que em 2010 ocorreram 87. Em 2011 ocorreram 134 tremores na mesma área, um aumento de 6 vezes em comparação aos níveis do século XX.

Ocupação de terras

Outra consequência é um alto índice de ocupação de terras devido a plataformas de perfuração, áreas de estacionamento e manobra de caminhões, equipes, instalações de processamento e transporte de gás, assim como as estradas de acesso, que em casos de poços na Amazônia, podem ser vetores do desmatamento.

 

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“Com a expansão da fronteira do hidrocarboneto pretendida pela ANP no 13o leilão, realmente estaremos rompendo todas as fronteiras, e a principal delas, a fronteira do bom senso, pois estaremos avançando no absurdo desta energia suja, que corrompe terras, rios, águas subterrâneas e a vida de forma geral. Estaremos na COESUS, e agora também com a 350.org Brasil nesta luta ampliada contra a energia da morte e dedicando-se no desinvestimento do hidrocarboneto, garantindo portanto, que as mudanças climáticas não sejam ainda mais asseveradas.”

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Eng. Juliano Bueno de Araujo

Coordenador da COEUS, Coalizão Não Fracking Brasil

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Nação Não Fracking Brasil

Desde 2013, a sociedade civil tem se mobilizado para impedir que o Fracking chegue a suas cidades e contamine sua água, solo e ar. Toledo e Cascavel foram às ruas para dizer não ao Fracking. Junte-se à causa e garanta a segurança hídrica e alimentar do Brasil.