Paulo Paulo, 19/09/2015

A sessão ordinária ocorrida na Câmara de Vereadores de Cruzeiro do Sul na noite desta última quinta-feira (10) foi palco de uma discussão de muita importância entre os vereadores da Casa: a possibilidade de extração de gás de xisto e petróleo na região do Juruá, o que definirá o futuro dos acreanos.

A sessão foi aberta pela vereadora Rocilda Sales, presidente da Mesa Diretora, e pouco depois, foi realizada uma apresentação sobre o “fracking” por  André Machado e Iva Torres (CIMI), e pela ativista Bárbara Silva, voluntária da Arayara, COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil – e 350.org Brasil, entidades que tem como objetivo fomentar esta discussão entre a sociedade brasileira.

Captura de Tela 2015-09-16 às 14.11.14Uma das estratégias da COESUS é o trabalho de sensibilização junto à sociedade brasileira e a políticos sensíveis ao tema, que têm recebido, em todo o Brasil, uma cópia do Projeto de Lei Municipal que propõe uma moratória ao fracking nas cidades até que sejam feitos estudos que comprovem a segurança da técnica, tanto para o meio ambiente como para a saúde humana. 

Os vereadores Waldemir Neto e Íria Matos manifestaram preocupação ante o tema. Segundo Neto, uma das principais dificuldades é inserir este debate entre a sociedade acreana.

Para a vereadora Íria Matos, “um tema de tamanha importância deve ser melhor discutido. Se já temos tantos exemplos do que aconteceu em outros países, precisamos parar para pensar no nosso futuro, dos nossos filhos e netos”. 

Leilão da ANP

Em 2013, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou um leilão de lotes para exploração de petróleo e gás de xisto em todo o Brasil.

 No Acre, o lote arrematado pela Petrobras atinge o Rio Juruá, um dos principais afluentes do Rio Solimões, que forma uma bacia única que vai do Peru até o Maranhão. Nos dias 7 e 8 de outubro, outro leilão será realizado pela ANP, apesar do desconhecimento generalizado da população ante os riscos que a técnica do fracking pode trazer à região. Não menos impressionante é o fato destes lotes estarem justamente em cima do Aquífero Juruá, o mais importante da Amazônia Ocidental.

Nos estados do Paraná e Piauí, a Justiça suspendeu a concessão dos lotes, após intervenção do Ministério Público Federal (MPF) para priorizar a preservação do aquífero Guarani (Paraná) e da bacia do Parnaíba (Piauí). No Paraná, o governo brasileiro quer extrair gás por fraturamento hidráulico em áreas de grande produção agrícola, de suínos, aves e piscicultura do Sudoeste, responsável por 23% de toda a produção brasileira e onde é gerada 25% da energia no estado. 

Em que consiste o fracking

A palavra significa fratura (frack) ou fraturamento, na língua inglesa. É uma técnica não convencional para extrair gás do folhelho de xisto. Para capturar o gás, é necessário fazer uma perfuração horizontal de até 5 km no subsolo, por onde se injeta, sob forte pressão, milhões de litros cúbicos de água misturados com areia e mais de 600 solventes químicos, que promovem a “fratura” ou o rompimento da rocha através de explosões.

Captura de Tela 2015-09-17 às 10.39.41Quando isto acontece, o gás contido no interior da rocha é liberado e capturado. Porém, cerca de 40% deste material, chamado “fluido hidráulico”, retorna à superfície, enquanto o resto deste material permanece no subsolo, próximo às fontes de água. A extração de gás inviabiliza atividade agrícola e agropecuária pela contaminação da água, solo e ar, além de causar doenças como câncer e outras prejuízos à saúde das pessoas e animais.

E é aí onde mora o problema: atualmente, em todo o mundo, países como a França, Canadá, Espanha, Noruega, Finlândia e Itália vêm proibindo a utilização desta técnica em seus territórios por causa da contaminação provocada no meio ambiente e entre a população.

Segundo André Machado, “a contaminação hídrica no Juruá pode comprometer a atividade dos grandes e dos pequenos produtores rurais, já que a água consumida por estes animais vai provocar a contaminação da carne, inviabilizando sua comercialização. O mesmo pode ocorrer com a atividade pesqueira e agrícola, como a gente vem acompanhando em todos os lugares onde o fracking foi implantado. Um exemplo é a Argentina, que foi proibida de exportar maçãs para os países da Europa porque foram contaminadas com metano”.

Na saúde humana, as cerca de 600 substâncias químicas, entre metais pesados, radioativos e cancerígenos, têm provocado uma alta incidência de câncer (até 20 vezes mais), morte de animais, alterações de funções sexuais e reprodutivas, infertilidade e anomalias genéticas entre a população, nas regiões afetadas.

Com informações da Coalizão Não Fracking Acre

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