Nicole Nicole, 10/09/2015

A relação entre mudanças climáticas e o fraturamento hidráulico, chamado fracking, tecnologia para a exploração de gás de xisto, foi o tema de reunião dos coordenadores da Coalizão Não Fracking Brasil com o Diretor Presidente do Grupo Paranaense de Comunicação – GRPCOM, Guilherme Döring Cunha Pereira.

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Os coordenadores nacionais da campanha contra o fracking no Brasil, Prof. Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo, fundador da Coesus, e Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil, falaram dos perigos que esta tecnologia representa para o Paraná, por seus impactos ambientais, econômicos e sociais, além de ser um já comprovado intensificador das mudanças climáticas.

O Diretor Presidente do GRPC disse que a questão das mudanças climáticas e o fracking merece uma ampla discussão na sociedade, que precisa ser devidamente informada sobre esta alternativa energética controversa para regiões produtivas como o Paraná. Além de Guilherme Döring Cunha Pereira, também participou da reunião a diretora de Comunicação e Relacionamento do Grupo, Milena Seabra.

Entre as 123 cidades paranaenses que poderão ter fracking está Toledo, no Sudoeste, com pouco mais de 132 mil habitantes. Toledo está comemorando a marca de R$ 1,7 bilhão no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), um crescimento de 15% em relação a 2013. A suinocultura foi responsável por 43% da produção total, o setor de aves por 25% e o de grãos por 21%. A cidade possui o maior rebanho suíno e o maior plantel de frangos do Paraná e é o terceiro maior produtor de leite do estado.

Leia matéria sobre o desempenho econômico de Toledo.

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“Milhares de paranaenses poderão ser afetados por operações de fracking, caso a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) insista em importar essa tecnologia que contamina a água, mata o solo e consequentemente inviabiliza a produção agrícola, acabando com a economia regional”, afirmou Juliano Bueno de Araujo.

Em relação às mudanças climáticas, o perigo ainda é maior. O Brasil é o quinto país na lista de emissões de dióxido de carbono (CO²), gás de efeito estufa responsável pelo aquecimento global. “Com Fracking, a liberação de metano, 20 vezes mais danoso que o CO², é sistemática e irá, com certeza, elevar a posição do Brasil no ranking das emissões, o quer representa uma catástrofe para a vida no planeta”, explicou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil que denuncia as mudanças climáticas e defende o desinvestimento em combustíveis fosseis.

Além da excelente performance na agroindústria, Toledo é exemplo para o Brasil em relação à biomassa, uma alternativa energética limpa e renovável, que de passivo ambiental é transformada em ativo econômico. Muitas propriedades já são autossuficientes na produção de energia gerada a partir dos dejetos dos suínos. Não há razão para parar essa cadeia produtiva.

Mobilização

Em 2014, a população do Oeste do Paraná, capitaneados por Toledo e Cascavel, foram às ruas para protestar contra a venda de blocos para exploração de gás do folhelho de xisto que se encontram em cima dos aquíferos Serra Geral e Guarani. Ao todo, são 16 estados brasileiros que podem ser afetados com o fraturamento hidráulico, tecnologia altamente poluente e impactante ao meio ambiente, à economia e à vida no campo e cidades.

Assista reportagem divulgada ano passado sobre mobilização em Toledo.

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Novo leilão

Em 07 de outubro de 2015, a ANP pretende leiloar mais 266 blocos em todo o país. Diante desta decisão, a população de Toledo vai encampar uma nova luta para evitar a extração do gás de xisto, que pode contaminar a água, o solo e o ar de maneira irreversível.

“Nós vamos nos mobilizar, pois fomos informados da retomada dos leilões para a exploração do gás de xisto”, disse o prefeito de Toledo Beto Lunitt. Em junho de 2014, após as manifestações, uma liminar emitida pelo juiz da 1ª Vara Federal de Cascavel, Leonardo Cacau Santos La Bradbury, proibiu a Agência Nacional de Petróleo (ANP) de dar continuidade a 12ª Rodada de Licitações.

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Segundo o prefeito, ” cidade está uníssona contra o fracking, pois foi informada da nocividade desta tecnologia. Nós não podemos permitir que essa energia ocupe o espaço de produção de alimentos. Aqui não se trabalha pela perspectiva da bandeira política, mas sim pela política da vida, da existência daquilo que efetivamente traz soluções para as pessoas, que é viver dentro de um caráter da economia, tendo desenvolvimento social, mas primando pelas fontes renováveis de energia”.

 

O que é fracking

Fracking, ou fraturamento hidráulico, é o método para a extração do gás do folhelho do xisto, através da perfuração profunda do subsolo que pode passar de 2,5 quilômetros. Para fraturar a rocha nesta profundidade, são necessários de 7 a 15 milhões de litros de água, areia e mais um coquetel de 600 substâncias químicas – muitas tóxicas e cancerígenas.

Entre os impactos ambientais já relacionados ao fracking estão a contaminação da água de superfície e lençóis freáticos, a poluição do ar pelo metano e outras substâncias químicas utilizadas no processo, infertilidade do solo para a agricultura e eliminação da biodiversidade. Quando se fala de impactos sociais, o fracking provoca doenças como câncer, aumento da mortalidade neonatal e infantil, as mulheres se tornam estéreis e problemas cardíacos e neurológicos. Os animais também adoecem, tanto os selvagem como os domésticos e de produção.

Para completar esse cenário de devastação e destruição permanente, o fracking ainda impacta a economia na região. Toda a água potável, na superfície e nos aquíferos, é contaminada com metais pesados, impossibilitando a produção agrícola e pecuária. E o que retorna após o fraturamento hidráulico não pode ser usado pois não há tecnologia para tratamento.

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Nação Não Fracking Brasil

Desde 2013, a sociedade civil tem se mobilizado para impedir que o Fracking chegue a suas cidades e contamine sua água, solo e ar. Toledo e Cascavel foram às ruas para dizer não ao Fracking. Junte-se à causa e garanta a segurança hídrica e alimentar do Brasil.