Nicole Nicole, 04/09/2015

O dia 4 de outubro será de mobilização contra o Fracking em Toledo. A manifestação contra o processo de fraturamento hidráulico para a exploração do gás de xisto, forma danosa ao solo de geração de energia, acontece no Parque Ecológico Diva Paim Barth e deve reunir representantes do poder executivo e legislativo, sindicatos, estudantes, imprensa, agricultores, políticos e a população de todo o município. O horário ainda será definido em discussão com os órgãos e entidades da sociedade toledana.

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Em outubro de 2015, a ANP pretende leiloar mais 269 blocos em todo o país. Diante desta decisão, o Governo Municipal vai encampar uma luta para evitar a extração do gás de xisto, que pode contaminar a água, o solo e o ar de maneira irreversível. “Nós vamos nos mobilizar, pois fomos informados da retomada dos leilões para a exploração do gás de xisto”, disse o prefeito toledano Beto Lunitt.

Sobre o Fracking, ainda em 2013 o prefeito Beto Lunitti se preocupou em entender o processo de extração e consultou ambientalistas que apontaram os prejuízos que esse tipo atividade causaria a Toledo e a sua principal fonte de renda, a produção rural. Em junho de 2014, a população toledana realizou uma passeata pacífica, além de diversos atos envolvendo a Câmara de Vereadores e outros órgãos. Em junho de 2014, após as manifestações, uma liminar emitida pelo juiz da 1ª Vara Federal de Cascavel, Leonardo Cacau Santos La Bradbury, proibiu a Agência Nacional de Petróleo (ANP) de dar continuidade a 12ª Rodada de Licitações.

A iniciativa para combater o Fracking conta com o apoio da Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus) e da ONG 350.org Brasil. “Estamos em contato com estas duas entidades e queremos, neste dia 4 de outubro, realizar um grande ato envolvendo a Câmara Municipal, Prefeitura, sociedade organizada e demais órgãos para mostrar ao Brasil e ao mundo que este município, pelo que já apresentamos em outras mobilizações, não quer esta atividade em seu território”. A participação de toda a sociedade no evento, segundo o prefeito toledano, é necessária. “Precisamos estar atentos para, em conjunto e sem distinção de classe social ou vertente ideológica, defender nosso território. Somos altamente produtivos e a exploração do gás de xisto pode prejudicar todo o nosso destaque agropecuário”.

Beto acrescentou que existe uma lei, produzida pelo Poder Executivo Municipal, proibindo a emissão de alvarás para empresas interessadas em explorar esta matriz energética. “Estamos fazendo os enfrentamentos necessários, mas este movimento não pertence a uma pessoa, a uma instituição. Ele é do povo de Toledo, a Prefeitura, que representa esta população, vai se mobilizar”. Beto ainda lembrou que existem outras fontes de energias renováveis, como o biometano, a energia solar e eólica. “Temos um potencial para produzir o gás natural a partir da biomassa residual da própria agropecuária, que já tem uma força muito grande em Toledo. Uma energia renovável, com ganho econômico e ambiental para nossos produtores rurais. Não precisamos explorar o Fracking em nossos limites”, frisou Beto.

Histórico da mobilização contra o Fracking em Toledo

A primeira movimentação em relação ao assunto em Toledo aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores, onde foi realizada uma audiência pública para debater o fracking e informar a população sobre o sistema de exploração de gás e petróleo. A ação aconteceu em dezembro de 2013.

Na sequência, o prefeito Beto Lunitti recebeu a representante da sociedade civil na Comissão Nacional de Segurança Química, Zuleica Nycz, e o conselheiro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e presidente da Federação Paranaense de Entidades Ambientalistas (FEPAN), Juliano Bueno de Araújo. O objetivo da visita foi esclarecer as informações da audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Toledo e tratou do assunto.

Em fevereiro de 2014, na Câmara de Vereadores, um novo encontro promovido pela Casa de Leis toledana que mobilizou a Associação das Câmaras Municipais do Oeste do Paraná (ACAMOP) e resultou na Carta de Toledo, documento que aponta o descontentamento da Região Oeste em relação ao fracking.

No dia três de junho do mesmo ano, mais uma ação. Foi organizada uma passeata pacífica com a concentração em frente à Prefeitura que se dirigiu até a sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel), na Avenida Parigot de Souza. O evento reuniu aproximadamente duas mil pessoas e a mobilização resultou em uma liminar que impediu temporariamente o início dos trabalhos.

Além disso, em fevereiro de 2014, em reunião da Associação das Câmaras e Vereadores do Oeste do Paraná (ACAMOP) também foi debatida a preocupação das autoridades em relação à exploração do gás de xisto. Nesta ocasião, Toledo junto com outros municípios da ACAMOP assinou a “Carta de Toledo Sobre os Riscos do Fracking” – dirigida à população, aos órgãos de imprensa, às autoridades constituídas e ao Ministério Público, pedindo a moratória do Fracking por 5 anos.

Beto contou ainda que Toledo tem buscado energias alternativas, com viés sustentável e que gere renda para o produtor rural. “Nós apoiamos energias renováveis, como é o caso do biogás que está sendo implantado no município. Nesse sentido, Toledo faz parte do Centro Internacional de Energias Renováveis e quer estabelecer aqui uma nova matriz energética e econômica a partir da energia produzida pelos dejetos de suínos”.

Fonte: https://www.toledo.pr.gov.br/noticia/manifestacao-contra-o-fracking-sera-realizada-no-dia-4-de-outubro-em-toledo

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Desde 2013, a sociedade civil tem se mobilizado para impedir que o Fracking chegue a suas cidades e contamine sua água, solo e ar. Toledo e Cascavel foram às ruas para dizer não ao Fracking. Junte-se à causa e garanta a segurança hídrica e alimentar do Brasil.